Cinismo – Brasil Escola

Venha entender o que é cinismo para a filosofia com esta videoaula! A expressão cínico caiu no vocabulário popular, mas o que chamamos hoje de cinismo não é exatamente o que era a escola filosófica helenística. Apesar de o sentido ser diferente, o cinismo praticado pelas pessoas hoje tem certa origem entre os cínicos gregos: filósofos que faziam uma filosofia prática baseada na vida austera e na quebra de convenções sociais.
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Qual a diferença entre distanciamento, isolamento, quarentena e lockdown

Quarentena, isolamento, distanciamento social e lockdown. Em meio à pandemia de covid-19, esses quatro termos tornaram-se frequentes no nosso vocabulário e na nossa realidade atual. Apesar de todos serem regimes que nos mantêm em casa para combater a doença, eles não são sinônimos. 

Entender a diferença entre eles é importante, já que cada termo possui um nível de alerta sanitário e de liberdade da mobilidade da população, podendo variar entre voluntário ou obrigatório, de acordo com cada situação.

Distanciamento social

O distanciamento social busca, de forma voluntária, restringir a aproximação entre as pessoas como forma de controlar a disseminação da doença. No caso da covid-19, por exemplo, as autoridades de saúde recomendam manter uma distância de 2 metros de outras pessoas.

Nessa fase, comércios e as escolas podem fechar e eventos serem cancelados, mas não há aplicação de multa ou detenções para quem furar o distanciamento social.

Isolamento

O isolamento também é uma medida não obrigatória para evitar a propagação do vírus. Ele serve para separar pessoas sintomáticas ou assintomáticas, que foram contaminadas ou estão com suspeita. Dependendo da situação, os pacientes podem ficar isolados em ambiente domiciliar ou em hospitais.

O Ministério da Saúde indica que prazo de isolamento é 14 dias (tempo em que o vírus leva para se manifestar no corpo). O prazo pode ser estendido, dependendo do resultado dos exames laboratoriais.

Existem dois tipos de isolamento: o vertical, que é destinado somente a grupos de risco, como idosos e pessoas com comorbidades (diabéticos, hipertensos, pessoas com algum comprometimento pulmonar) e o horizontal, que atinge toda a população. No segundo, todos que não trabalham com atividades essenciais devem ficar em casa.

Quarentena

A quarentena restringe o acesso ou circulação de pessoas que foram ou podem ter sido expostas ao vírus. Pode ser um ato administrativo, estabelecido pelas secretarias de Saúde dos estados e municípios ou do ministro da Saúde, por exemplo.

A palavra foi criada em meados do século 14, em Veneza, na Itália, durante o período da peste bubônica. Para evitar que marinheiros trouxessem a doença para a cidade, autoridades fizeram com que toda a tripulação dos navios ficasse confinada por 40 dias antes de desembarcar. Atualmente, o termo não mudou, mas é possível que o período seja maior ou menor.

Lockdown

O lockdown é uma paralisação total dos fluxos e deslocamentos. A circulação de carros e pessoas também é reduzida, sendo autorizada apenas a saída de casa para a compra de alimentos, medicamentos e transporte de indivíduos para hospitais. Nesta etapa, o governo pode usar as forças armadas e aplicar multas e detenções para quem desrespeitar a medida.

A medida foi adotada, por exemplo, em Wuhan, na China, primeiro epicentro do novo coronavírus. No Brasil, a primeira região a anunciar o regime mais fechado de quarentena  foi o entorno da Grande São Luís, no Maranhão, onde houve bloqueio de fronteiras na última terça-feira (5).

Em resumo, pensando na escala de risco para serem adotados, do menor para o maior, os regimes são classificados nesta ordem: distanciamento social, isolamento, quarentena e lockdown.

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O que faz um cientista de dados e como se tornar um

Engenheiro é quem estudou Engenharia, médico é quem fez Medicina… e cientista de dados? É quem cursou ciência de dados? Bom, às vezes sim, mas nem sempre. Ainda é difícil colocar em caixinhas o cientista de dados. Trata-se de uma profissão nova e, embora o mercado seja vasto, a demanda por esses profissionais ainda é “desorganizada”, como explicou Hedibert Freitas Lopes, Ph.D. em estatística pela Universidade Duke, em entrevista à Exame

Mas as motivações para seguir na área provavelmente valem o esforço em explorar esse campo ainda meio confuso. Em 2019, os cientistas de dados apareceram em primeiro lugar no ranking elaborado pelo site de recrutamento americano Glassdoor, que elenca os melhores empregos dos Estados Unidos. O salário médio, o índice de satisfação no trabalho e o número de vagas disponíveis os coloca no topo da lista, figurando como os profissionais mais felizes. No Brasil, pelo menos no quesito salário, também não estão nada mal: ainda de acordo com o Glassdoor, um cientista de dados no Brasil ganha de R$ 9 mil a R$ 20 mil. 

Interessou-se pela área? Neste texto te contaremos melhor quais as possíveis formações para atuar como cientista de dados e as oportunidades no mercado de trabalho.

O que estudar?

A demanda por cientistas de dados no Brasil é, sem dúvidas, anterior a uma estruturação acadêmica da área – o primeiro bacharelado em Estatística e Ciência de Dados só foi aberto no ano passado pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. Até então só existiam alguns poucos cursos tecnólogos na área. Com a pouca oferta de profissionais com formação específica, matemáticos, físicos, analistas de sistemas e até engenheiros ocupam, com êxito, esse mercado nos últimos anos.

O mestrando em Física na Unesp Vítor Sudbrack, que faz parte de um observatório criado para monitorar a evolução do novo coronavírus no país, explica que os físicos, por exemplo, reúnem um forte instrumental para atuar como cientistas de dados: “a graduação em Física dá um bom conhecimento sobre programação e utilização de dados. Hoje em dia não se faz mais Física com papel e caneta, é feita a partir de simulação, programação de computador”. 

O trabalho realizado por ele e outros cientistas no Observatório Covid-19 BR é essencialmente com coleta, organização e análise de dados. Por vezes, com dados de alta complexidade, como no trabalho envolvendo a análise de sentimentos no Twitter em relação ao isolamento social nas últimas semanas. “Se você pega a hashtag “quarentena”, por dia, tem 70 mil tuítes. Um programa que vai ler esses 70 mil e analisá-los é um superprograma, que requer uma técnica muito diferente”. Esse grande volume de dados é o que chamamos de “Big Data” e trabalhar com eles é uma das atribuições do cientista de dados. 

Mas a Física, é claro, é apenas um caminho. Quem se interessa por Biologia também pode encontrar uma intersecção interessante com ciências de dados em especializações como biologia molecular – que exige o trabalho com grande número de dados de sequenciamentos genéticos – ou mesmo ecologia. 

As especializações, inclusive, são um bom caminho de aperfeiçoamento mesmo para profissionais com outras graduações que trabalham na área. Entre as faculdades particulares, a PUC (MG, SP e RJ) e o Insper são algumas que oferecem pós-graduação em Ciências de Dados. 

Mercado de trabalho

“Bancos, agências de publicidade, empresas de pesquisa de mercado, indústrias”, esses são alguns setores que podem empregar um cientista de dados, explica a professora Cibele Russo, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em entrevista ao Jornal da USP. Segundo ela, “existe um mercado enorme, demandando até mais do que as universidades conseguem oferecer”. 

Não é difícil perceber como a ciências de dados está mais presente em nossas vidas do que podemos imaginar. Sabe as propagandas de compras que aparecem para você na internet relacionadas às suas últimas buscas? Ou mesmo as sugestões de séries que a Netflix te faz baseado em seus gostos? Tudo isso envolve uma técnica da ciências de dados chamada Machine Learning, ou aprendizado de máquina, que consiste em ensinar o computador a ler sentimentos ou a personalidade dos usuários. Ou seja, provavelmente um (ou vários) cientista de dados, por trás dos computadores dessa empresa, foi responsável pela criação do código, organização da base de dados, programação e todos os processos que ensinaram aquela máquina a pensar! 

Além disso, é claro, sempre existe a possibilidade de atuar com pesquisa científica nas universidades ou outras instituições de pesquisa!

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Coronavírus: conheça os profissionais que analisam o achatamento da curva

Por mais que muita gente só tenha ouvido falar nele agora, o papo de curva epidêmica não é coisa exatamente nova: teve curva epidêmica para H1N1, para dengue, sarampo e outras doenças. Afinal, é por meio dessa representação gráfica que se mede o aumento de casos de contaminados ao longo do tempo, permitindo acompanhar e até prever a evolução de uma epidemia. 

O que acontece dessa vez é que a facilidade de transmissão e a inexistência de tratamento e de vacina (por enquanto) fez o papo ficar ainda mais sério: a curva do novo coronavírus indica um número de contaminados tão grande a curto prazo que o sistema de saúde de muitos países entraria em colapso em poucas semanas, sem leitos hospitalares e profissionais suficientes para atender todos os doentes. 

Isso, é claro, se nenhuma medida para frear o contágio for tomada. É aí que entra a ideia de “achatamento da curva”, que tomou discursos políticos, noticiários e até correntes de Whatsapp. Achatar a curva significa “distribuir o número de pessoas contaminadas ao longo do tempo e permitir com que, assim, tenha mais rotativa nos leitos e nas UTIs, para que a população fique menos suscetível a ficar sem hospitalização”, explica o cientista Vítor Sudbrack, do Instituto de Física Teórica da Unesp. E de curvas, análises e dados, Vítor entende bem. 

Em 17 de março, ele e dezenas de outros pesquisadores uniram suas expertises em diferentes áreas, da Física à Ecologia, para formar uma grande equipe de ciências de dados. De lá para cá, o Observatório Covid-19 BR reúne e trata dados oficiais para elaborar estimativas sobre o novo coronavírus no Brasil – entre elas, a curva epidêmica. 

Uma ciência sem etiquetas

“Essas etiquetas que colocamos na ciência são do ponto de vista acadêmico, porque a natureza é uma coisa só e precisa de todas elas trabalhando juntas”. É assim que  Vítor Sudbrack introduz a formação acadêmica dos diversos cientistas que trabalham no observatório. Físicos (como ele), matemáticos, biólogos… a equipe por trás da coleta e tratamento dos dados, programação, análises e previsões é bastante interdisciplinar, e todas essas especialidades colaboram à sua maneira. 

Os cientistas da área da Física, por exemplo, se ocupam da modelagem. “Modelar é observar a natureza e escrever equações matemáticas que representam aquilo que a gente está observando”, explica. É possível ir além: se as equações representam bem aquilo que já vivemos, é possível extrapolar para o futuro e fazer previsões. E é isso que os cientistas que trabalham com dados nesse momento, no Brasil e no mundo, estão fazendo: criando modelos matemáticos para supor como a epidemia vai se comportar em diferentes cenários. 

Embora seja uma especialidade dos físicos, pesquisadores de outras áreas também contribuem no processo de modelagem. Os biólogos, por exemplo, contribuem fornecendo informações sobre o comportamento do vírus, as características da doença e todos os outros parâmetros importantes que devem ser considerados na elaboração do modelo. 

Além disso, os ecólogos do Observatório contribuem bastante nas análises estatísticas e de dados, já que também possuem formação nessa área. A doutoranda em ecologia na USP Tatiana Portella explica que a pós-graduação na área de ecologia tem disciplinas de estatística, programação em R, análise de dados espaciais e outras que preparam para trabalhos envolvendo ciências de dados. 

Por fim, todos acabam contribuindo com quase tudo, reunindo conhecimentos muitas vezes até inesperados. “Recebemos e-mails de pessoas que trabalhavam com astrofísica, física de partículas, com várias coisas bem distantes, mas que sabiam colocar um site no ar, que sabiam fazer uma análise de multiparâmetros. Por mais que a gente tenha tido que adaptar, todo esse ferramental foi muito útil”, lembra Vítor. “Eu, falando como cientista, nunca me senti tão envolvido em uma coisa tão intensa com tanta gente igualmente intensa. Está sendo uma experiência de mudar a vida.” 

Além da curva

Embora as informações envolvendo a curva epidêmica sejam as mais “populares” quando se trata do coronavírus, outras análises importantes também estão sendo publicadas pelo Observatório covid-19 BR. Os mapas de risco, por exemplo, baseiam-se no fluxo entre as cidades com mais casos e outras do mesmo estado para estimar quais serão os próximos lugares afetados pelo vírus.  

Já um outro grupo dentro do Observatório trabalha com a análise dos sentimentos da população em relação à quarentena a partir de tuítes – assim é possível saber, por exemplo, qual tem sido a adesão às medidas de isolamento social. Por fim, todas essas informações ficam à disposição especialmente dos gabinetes de crise, para que eles possam otimizar tempo e recursos no combate à pandemia.

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