6 carreiras para quem quer ver o mundo

Viajar e ver o mundo é uma das prioridades da geração Z. Ainda que os jovens estejam interessados em se dedicar aos estudos, uma pesquisa online realizada pelo Booking.com mostrou que 67% dos jovens, entre 16 e 24 anos, acreditam que viagens são o melhor investimento. Os mais de 21 mil entrevistados de 29 países, incluindo o Brasil, também apontam que estão interessados em trabalhos que os permitam vivenciar outras culturas (71%), demonstrando o perfil e as prioridades daqueles que estão partindo para o momento de decisão profissional.

Mas trabalhar e ver o mundo não precisam ser opostos. Existem profissões que te dão a oportunidade de conhecer novos países, culturas e idiomas. E se você é apaixonado por viajar e não vê a hora de explorar o planeta, aqui estão algumas carreiras em que não é preciso escolher entre trabalho e viagem.

Fotógrafo e produtor de vídeo

Os fotógrafos e os produtores de vídeos trabalham para projetar o mundo no papel ou nas telas digitais. Além de uma boa câmera, é preciso entender sobre luz, enquadramento, edição e ter um ótimo senso estético. Você pode trabalhar para empresas e agências ou como autônomo, registrando eventos, lugares e momentos. O fotógrafo não precisa ter formação, apesar de existirem bacharelados na área. Mas é importante ter um bom portfólio mostrando sua experiência.

Guia de turismo

Se você gosta de explorar novos lugares e organizar roteiros, ser um guia de turismo pode ser incrível. Além de ser importante ter muito conhecimento e responsabilidade, você terá a oportunidade de apresentar o mundo para outras pessoas, o que pode ser divertido. Para atuar em excursões nacionais e internacionais, é preciso ter mais de 21 anos e comprovar a fluência em, pelo menos, um idioma. Também existem qualificações no nível técnico para a área, mas não é obrigatório. É necessário providenciar, na prefeitura da sua cidade, o registro de autônomo e solicitar a credencial na Secretaria de Turismo do Estado. Por fim, o guia deve se cadastrar no Cadastur, sistema de cadastro de pessoas e empresas que atuam nesse setor.

Geógrafo

Para além das salas de aula, os geógrafos podem atuar no estudo de planejamento urbano, impacto sócio-ambiental e estudo de regiões. Esse é um trabalho importante que afeta o nosso dia a dia, principalmente com crescimento da preocupação mundial em relação ao planeta e ao meio-ambiente. A graduação no curso superior de Geografia é exigido e especializações e pós-graduações são importantes, principalmente se você quiser seguir uma carreira de pesquisador.

Comissário de Bordo

Como agentes de segurança, os comissários de bordo são responsáveis pela organização dos passageiros durante as viagens e precisam estar preparados para situações de emergência. É necessário falar, pelo menos, inglês e obter o CHT, Certificado de Habilitação Técnica,  da Anac (Agência de Aviação Civil), além de realizar o estágio obrigatório. Entre os conteúdos trabalhos no curso estão conhecimentos sobre leis trabalhistas e aeronáuticas, primeiros socorros e meteorologia. A profissão te permitirá conhecer muitas pessoas e conhecer muitos lugares do Brasil e do mundo.

Diplomata

A diplomacia é um instrumento da política externa de um país. São os diplomatas que estabelecem, representam e negociam as relações entre seu país de origem e outros. Para seguir a carreira, você precisa ter uma graduação no Ensino Superior (em qualquer curso), ter um perfil analítico e disciplina para ingressar na carreira pública por meio do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD) para trabalhar no Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores).

Arqueólogo

O arqueólogo é aquele que estuda as culturas e sociedades humanas a partir de objetos e vestígios produzidos no passado. Existem algumas possibilidades na arqueologia que te permitem viajar, como a exploração de campo e a arqueologia subaquática, em que você tem a oportunidade de visitar os sítios arqueológicos e descobrir materiais.

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Como será a volta às aulas presenciais no Brasil?

A reabertura das escolas foi assunto na reunião ministerial da última terça-feira (9). O presidente Jair Bolsonaro afirmou que, agora, pode haver menos resistência à volta das atividades escolares, usando como argumento um estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde, que definiu transmissões assintomáticas como “raras” .

A justificativa usada pelo presidente, entretanto, já foi rebatida por epidemiologistas de vários países, com estudos que apontaram para a transmissibilidade do Sars-CoV-2 por pacientes que não expressam sintomas. A própria OMS se retratou depois e alertou que há perigo de pessoas pré-sintomáticas transmitirem o vírus. A agência reforçou que os estudos sobre assintomáticos ainda não são muito abrangentes.

Com discussões como essas, muito se fala sobre as voltas às aulas presenciais, depois de cerca de três meses de quarentena. Apesar dos planos, o cenário ainda é de incerteza, marcado pelo embate de autoridades, professores e especialistas, entre argumentos econômicos, educacionais e de saúde.  

Em São Paulo, estado com maior número de mortes por conta do coronavírus, ainda não há uma data definida para o retorno. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, “a retomada será gradual e regionalizada, seguindo o que os dados científicos sobre a epidemia indicarem em cada região do Estado. As diretrizes devem ser apresentadas à sociedade nas próximas semanas”, informou, em nota. A pasta vem realizando reuniões com instituições públicas e privadas para organizar a retomada planejada das aulas presenciais.

Já no Tocantins, outro estado muito afetado pelo vírus, o governo estuda um plano de retomada das atividades presenciais, começando pelos alunos do terceiro ano do Ensino Médio, no dia 3 de agosto. A ideia é fazer um revezamento: uma semana, metade da turma participa presencialmente, enquanto a outra metade desenvolverá atividades em casa, seguindo os roteiros de estudos, que serão validados na semana seguinte, quando estarão fisicamente na escola. Depois, o formato será ampliado para as outras etapas de ensino até 31 de agosto.

Rede municipal

O prefeito Marcelo Crivella, do Rio de Janeiro, divulgou no dia primeiro de junho um programa de retomada das atividades na cidade que determina para uma terceira fase de abertura (prevista para julho) a volta das atividades presenciais em creches e escolas do Ensino Fundamental das redes pública e privada. A medida foi alvo de crítica de professores e especialistas.

Em nota, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) afirmou que “a reabertura das unidades públicas de ensino é uma afronta ao bom senso e às medidas preconizadas pela OMS e outros órgãos ligados ao setor de Saúde”. A escolha de Crivella de começar com a educação infantil foi outro ponto criticado pelo sindicato, que ressaltou a impossibilidade de se evitar contato físico nessa idade. O Ministério Público e a Defensoria Pública do Rio de Janeiro também repudiaram a abertura de escolas, conforme vem denunciando o Sepe-RJ. 

A Aprofem, Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo, também se posicionou em relação ao retorno das aulas presenciais. Em ofício à Secretária Municipal da Educação da cidade, na segunda-feira (8), a instituição solicitou que o órgão “assegure o diálogo com as Entidades Representativas, bem como canais de recepção de sugestões dos professores e demais servidores da Rede Municipal de Ensino, preliminarmente à formatação do esperado plano de retorno no âmbito da Educação Municipal de São Paulo”.

Rede particular

Para as escolas particulares o futuro também ainda é incerto, mas enquanto aguardam o decreto que vai autorizar a retomada das aulas presenciais, algumas escolas particulares já começaram a desenvolver medidas de prevenção contra o coronavírus. É o caso da Luminova, uma rede de ensino particular. 

“Criamos um grupo de trabalho com representantes das diversas áreas da escola, para discutir temas nos pilares operacionais, serviços, estrutura física e pedagógica. Cada representatividade participa do todo, mas influencia claramente mais a sua área de atuação”, explica o diretor acadêmico da Luminova, Luiz Magalhães.

A equipe, então, já começou a preparar uma série de recomendações para o retorno das atividades sem comprometer a saúde de funcionários, professores, pais e alunos. Entre as ações estão, por exemplo, medição de temperatura na entrada, álcool gel em todos os corredores e salas de aula, nova disposição das carteiras respeitando a orientação de maior espaçamento entre alunos. Além das adaptações dos bebedores e distribuição de garrafas para consumo de água, e o um novo esquema de entrega da cantina para a sala de aula, evitando maiores aglomerações.

O diretor conta que, apesar das ações, é claro que existem dúvidas em relação ao retorno, desde a insegurança dos pais para mandar os filhos para a escola até as dificuldades que cada um terá com o currículo, quando os conteúdos ensinados agora forem retomados. Outra preocupação envolve o distanciamento das crianças menores, que não têm dimensão do perigo e da importância de não se abraçarem quando retornarem as atividades. “Nosso papel é ir construindo respostas na incerteza”, afirma.  

Em conjunto com a Clínica Infantil Santa Isabela, Sociedade Brasileira de Pediatria, Associação Paulista de Medicina, Sindicato dos Hospitais e Clínicas de São Paulo e Federação dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo, o Sindicato dos Estabelecimentos Privados do Estado criou um plano de retorno às aulas. Mas o protocolo, em função da vigência da Lei de Calamidade Pública, só poderá ser colocado em prática após aprovação do Estado. 

“Há webinars, conferências, congressos que nos mantêm em contato para a troca constante de aprendizados e experiências dessa quarentena. É hora de somar esforços e, embora haja concorrência, é preciso frisar que não existe inimizade entre as instituições”, afirma Magalhães.

Exemplos de fora

Muitos países já conseguiram retornar às atividades escolares e podem serem observados por educadores brasileiros, que estão pensando no planejamento de volta às aulas. Claro que é necessário considerar as diferentes realidades e estruturas de cada país e como ele foi afetado pela pandemia.

Na Alemanha, as escolas reabriram parcialmente para crianças pequenas, com regras de distanciamento social e desinfecção. Na Bélgica, por exemplo, eles permitem apenas 10 crianças por sala. Já a Grécia optou pela volta presencial apenas para os estudantes de final de curso, fazendo rodízio entre as classes, com aulas em dias alternados. Nos Estados Unidos, as regras são definidas particularmente por cada estado.

O caso da França alerta todos os países sobre a complexidade de reabrir os espaços escolares físicos. Uma semana após o retorno de um terço das crianças do país, foram mapeados novos casos de coronavírus em 70 escolas reabertas. O governo decidiu, então, fechá-las como precaução.

Recuperação da aprendizagem

É evidente: a pandemia afetou fortemente a educação no Brasil. Escolas e professores, alunos e famílias, sem ensaios ou experiências prévias, precisaram se adaptar ao ensino emergencial remoto. Se não bastassem a mudança repentina e o despreparo, os números do acesso à internet e equipamentos no país mostraram que essa nova realidade afastou ainda mais jovens periféricos do direito ao conhecimento: segundo a pesquisa TIC Educação 2019, divulgada recentemente, 39% dos estudantes de escolas públicas urbanas não têm computador ou tablet em casa.

O Todos Pela Educação lançou uma nota técnica com as questões relevantes a serem consideradas na futura reabertura das escolas, entre elas, as lacunas significativas no aprendizado, especialmente daqueles alunos em situação de maior vulnerabilidade. Segundo o estudo, as evidências mostram “a necessidade de a reorganização do calendário escolar prever, com bastante ênfase, ações pedagógicas para promover a recuperação da aprendizagem dos alunos”.

Nesse sentido, um ponto central a ser considerado, logo após a reabertura das escolas é a aplicação de avaliações diagnósticas, que apontarão as matérias a serem priorizadas e como os professores deverão se organizar para realização dos projetos de recuperação. Para isso, os profissionais precisam de um suporte e de uma formação especial. Essa avaliação e esse acompanhamento com o aluno se estenderiam, tornando-se frequente, como um processo.

Outra preocupação são com os impactos psicológicos da pandemia e do ensino a distância. O pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Justin Reich, responsável pelo estudo que acompanha as escolas americanas durante a pandemia, acredita que o papel da educação na volta às aulas deve ser mais de acolhimento do que de passar novos conteúdos.

Em entrevista ao Estado de S.Paulo, Reich afirmou que “o ideal seria que elas se concentrassem em celebrar a resiliência e o aprendizado dos alunos durante o isolamento, construindo comunidades, atendendo às necessidades de saúde e emocional dos alunos, identificando o que precisa ser revisto ou retomado”. 

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Documentários para entender o novo populismo

A política e o populismo se adequaram à tecnologia, assim como tudo em nossas vidas. Desde o uso das redes sociais como plataformas para campanhas eleitorais até o surgimento de um novo modo de pensar sobre os governos, a internet faz parte de uma grande mudança na forma como olhamos o mundo e votamos.

Estes documentários vão te ajudar a entender o fenômeno conhecido como novo populismo e como a política se tornou o que conhecemos hoje.

Brasil em Transe (2017)

Produzido pela rede britânica de televisão BBC e idealizado pelo jornalista Kennedy Alencar, o documentário divide-se em três episódios curtos (em torno de 20 minutos) para analisar o que aconteceu com o Brasil desde o começo dos grandes protestos em 2013. O jornalista se propôs a analisar o sentimento de derrota que surgiu na população após os escândalos de corrupção e que, também, incentivaram todos os acontecimentos que vieram a seguir. O último episódio, Nação Dividida, foca no fim do governo Temer e na eleição de Jair Bolsonaro. 

HyperNormalisation (2016)

Também com produção da emissora BBC, o documentário analisa como, ao longo do tempo, os partidos populistas subiram ao poder através de um discurso normalizador dos eventos socioeconômicos transformando a realidade em uma narrativa simplista e, por vezes ficcional. Para explicar a “hipernormalização”, o diretor Adam Curtis resgata fatos desde a década de 1970 e mostra como isso gerou uma aversão à política geral, fazendo a população desistir de mudar o mundo, de acordo com ele.

Get Me Roger Stone (2017)

Esse documentário da Netflix retrata um dos personagens mais importantes para entender o populismo ocidental. O longa explora a carreira e a vida do estrategista político do Partido Republicano Roger Stone, que foi extremamente influente no governo americano desde a eleição de Richard Nixon. O filme também explora o poder de Stone na vitoriosa campanha de Donald Trump, em 2016.

Privacidade Hackeada (2019)

Ainda relacionado às eleições americanas, esse documentário vai expor como as redes sociais foram usadas nas corridas eleitorais dos Estados Unidos –  técnica que, posteriormente,  seria exportada para outras eleições ao redor do mundo. A produção parte dos escândalos envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica, em que dados de usuários da rede social foram usados para distribuir informações e notícias falsas ao longo da campanha eleitoral de 2016. Apesar de o documentário tratar de forma geral sobre a nossa privacidade nas redes, ele se concentra em como elas se tornaram ferramentas políticas. 

Virando a Mesa do Poder (2019)

Acompanhando a história de quatro mulheres americanas sem experiência política, o documentário da Netflix mostra um panorama diferente dos outros acima. Elas decidiram se candidatar nas eleições legislativas de 2018 com o grupo “Brand New Congress (“Congresso novo em folha”, em tradução livre). O filme foca nas motivações de cada uma e nos desafios de suas campanhas eleitorais, que não tinham os mesmos recursos para fazer frente às candidaturas de veteranos políticos, com grandes contribuições financeiras e apoiadas na máquina política que eles conhecem bem.

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Qual a diferença entre assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos?

Bastou uma declaração da epidemiologista Maria van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde, em uma coletiva de imprensa essa semana para que imagens, vídeos e notícias corressem as redes sociais anunciando que pacientes assintomáticos contaminados pela covid-19 não podem transmitir o vírus a outras pessoas. A consequência mais grave da repercussão da fala é que ela passou a ser usada para endossar um discurso anti-isolamento e minimizar a gravidade da pandemia. 

O burburinho foi tanto que a própria OMS precisou divulgar uma nota técnica na última terça (9) esclarecendo que a fala de Van Kerkhove foi mal colocada e que ainda existe uma incerteza sobre a taxa de contaminação por pessoas assintomáticas. O que não há dúvidas, no entanto, é que pessoas sem sintomas podem – e muito – transmitir o vírus. É isso mesmo, sem sintoma não significa, necessariamente, assintomático, e nesse texto vamos te explicar a diferença entre as três classificações feitas pela OMS em relação aos contaminados pelo novo coronavírus.

Os assintomáticos

Depois da confusão, a epidemiologista da OMS publicou um vídeo em suas redes sociais para esclarecer que na sua fala anterior ela se referia especificamente aos assintomáticos, que são aqueles pacientes que contraíram o vírus mas não apresentaram nenhum sintoma durante todo o período de desenvolvimento da doença. Ainda assim, o comentário de Van Kerkhove foi imprudente, já que sua fala, segundo a OMS, foi baseada na observação que alguns países fizeram e está longe de ser um consenso, já que existem poucos estudos sobre esse grupo.

A afirmação pode até se provar verdade no futuro, mas assim como outras especulações envolvendo o vírus novo e desconhecido é preciso ter cautela e, antes de tudo, muita pesquisa. “Vírus viáveis (com potencial para contaminar) foram isolados tanto em pessoas pré-sintomáticas quanto em pessoas assintomáticas, o que sugere que pessoas sem sintomas podem, sim, transmitir o vírus para outras”, esclareceu a nota da organização, apontando que ainda há dúvidas e contradições sobre o assunto. 

Os pré-sintomáticos

Em relação ao potencial de contaminação, esse é, sem dúvidas, o grupo que merece mais atenção. Em entrevista a BBC Brasil, Natália Pasternak, pesquisadora da USP e pós-doutora em microbiologia, afirmou que as evidências até o momento apontam que o grupo “mais transmissível” é o de sintomáticos (que já manifestaram sintomas da doença), já que eles estão tossindo e espirrando o tempo todo. Mas, na prática, quem tem mais transmitido são os pré-sintomáticos. Um estudo do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (NUPEM), da UFRJ, aponta que eles são responsáveis por cerca de 45% das transmissões, mais que os assintomáticos e mais até do que aqueles que já desenvolveram sintomas. 

NUPEM-UFRJ/reproduçãoNUPEM/UFRJ/Reprodução

Uma explicação lógica é que essas pessoas transmitem mais porque, além apresentarem cargas virais tão altas quanto de quem tem sintomas, elas ou ainda não sabem que estão infectadas, ou acreditam que, por não terem sintomas, não têm também potencial de contaminação. Isso evidencia o perigo da declaração feita por Van Kerkhove, já que muitos pré-sintomáticos poderiam se sentir seguros em circular pensando serem assintomáticos. 

Ou seja, só é possível determinar se um paciente foi ou não assintomático depois de todo o período de desenvolvimento da doença e desaparecimento do vírus. Antes disso, ele pode, a qualquer momento, começar a manifestar os sintomas, o que indicaria que até então ele só estava pré-sintomático – e com alto potencial de espalhar o coronavírus por aí. 

Os sintomáticos

Segundo Ashish K. Jha, diretor do Instituto de Saúde Global da Universidade Harvard (EUA), a estimativa é que 80% dos contaminados pelo novo coronavírus vão, sim, apresentar sintomas, ainda que a maioria seja leve. De acordo com a pesquisa do Nupem, da UFRJ, eles são responsáveis por 40% das contaminações, atrás apenas dos pré-sintomáticos. 

Ainda assim, acaba sendo o grupo mais “monitorado” e estudado. “Muitos países não têm condições de ficar testando todo mundo e acompanhando. Como os recursos são escassos, é mais importante focar o acompanhamento nos sintomáticos. Não muda nada nas diretrizes sobre isso ou sobre isolamento social”, concluiu Natália Pasternak.

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