Processo seletivo é responsável pelo preenchimento de 40% das vagas da universidade. Etapas estão previstas para 2021.
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Enem 2020: prazo de pagamento da inscrição é prorrogado para 10 de junho
O Inep prorrogou o prazo de pagamento da inscrição do Enem 2020 para o dia 10 de junho. A princípio, os estudantes teriam até o dia 28 de maio para pagar o boleto, no valor de R$ 85. Mas, de acordo com o órgão, cerca de 300 mil candidatos fizeram a inscrição, mas não pagaram a taxa no período.
Quem ainda não fez o pagamento terá que reimprimir o boleto, gerando novamente a Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança) na Página do Participante. Ele pode ser pago em qualquer agência bancária, casa lotérica, agência dos correios, internet banking ou aplicativos de bancos.
Segundo o Inep, o processamento do pagamento da taxa pode demorar de 3 a 5 dias úteis para acontecer. Esse é o tempo que as instituições bancárias precisam para comunicar o pagamento ao instituto. A orientação é para que todos os candidato confiram a situação da inscrição, e se persistir não confirmada (mesmo depois de pagar a taxa), após o prazo de 5 dias úteis, entrar em contato com o 0800 616161.
Problemas no pagamento
Ainda durante o período de inscrição, candidatos do Enem relataram em suas redes sociais problemas na confirmação do pagamento. Muitos deles afirmaram que haviam pago a taxa há mais de uma semana, mas ainda não tinham recebido o aviso de confirmação.
Em resposta ao G1 sobre o problema, o Inep explicou que “os boletos que foram pagos estão em processamento no sistema” e que “os participantes receberão a confirmação até o dia 28 de maio”.
Outra falha relatada pelos candidatos foi que o boleto de pagamento não estava sendo gerado, mesmo dias após a inscrição. Após reclamações, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que o problema foi causado pela sobrecarga no sistema e que já tinha sido resolvido. Ele orientou que os estudantes entrassem novamente na página do participante, porque o problema “já estava solucionado”. Mesmo depois da afirmação do ministro, muitos candidatos continuaram se queixando nas redes sociais.
Após o projeto de adiamento ser aprovado no Senado e depois de muitas manifestações nas redes sociais contra a manutenção do exame em novembro, o Inep anunciou no dia 20 de maio que o Enem 2020 será adiado por 30 ou 60 dias , mas a data ainda não está definida.
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História #3: Grandes epidemias da História – Brasil Escola
Neste episódio, falaremos sobre as grandes epidemias que aconteceram ao longo da História, focando nos casos da Peste de Atenas, Praga Antonina, Peste Negra e Gripe Espanhola.
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12 Filmes para refletir sobre racismo e a violência racial
Confira uma seleção de filmes para refletir sobre o racismo, a cultura negra, e entender o preconceito racial no passado e no presente em nossa sociedade
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12 Filmes para refletir sobre racismo e a violência racial Publicado primeiro em https://manualdohomemmoderno.com.br/
Por que o adiamento do Enem mantém desigualdades entre estudantes
Que o Enem 2020 não acontecerá mais nos dias 1º e 8 de novembro todos sabem. O Ministério da Educação anunciou o adiamento do exame no último dia 20, depois da grande pressão que sofreu por parte do Senado, Congresso e alguns setores da sociedade. Mas o anúncio não foi exatamente o que se esperava: o ministro Abraham Weintraub declarou que será aberta uma consulta no final de junho na qual os estudantes inscritos poderão optar por um adiamento de 30 a 60 dias da data inicial.
Embora alguns tenham comemorado um suposto tempo “extra” para estudar, especialistas em educação consideram o adiamento insuficiente por diversas razões, e afirmam que a medida não sana as desigualdades que realizar essa edição às pressas pode acarretar.
Questão sanitária
No contexto de uma pandemia que exige o isolamento social como forma de controlar a contaminação, parece quase inimaginável tirar mais de 6 milhões de estudantes de casa e reuni-los em salas de aula de todo o país para aplicar um exame que dura horas. Sem contar, é claro, das outras milhares de pessoas envolvidas na organização e aplicação das provas.
Segundo Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP e especialista em avaliações educacionais, esse é o argumento número um quando se defende o adiamento do Enem 2020, já que é impossível precisar quando a epidemia estará controlada a ponto de permitir grandes aglomerações como essa. “Nesse sentido, enquanto não tivermos condições sanitárias não deveríamos fazer a prova”, crava.
Infelizmente, essas condições sanitárias ideais podem demorar a chegar. Mesmo países que já enfrentaram o primeiro pico da pandemia como a França e a Espanha não vislumbram uma volta às aulas do Ensino Médio, por exemplo, antes de meados de setembro. Por aqui, esse retorno sequer tem data para acontecer.
Questão de igualdade
A retomada das aulas, por sua vez, tem absolutamente tudo a ver com o Exame Nacional do Ensino Médio – ou ao menos deveria ter. “Se o MEC me perguntasse o que fazer, eu diria que uma vez que as aulas fossem retomadas na maior parte das escolas da rede pública, deveriam esperar mais seis meses pelo menos para realizar o Enem”, defende Alavarse.
O argumento dele, assim como o de muitas outras entidades e setores que defendem o adiamento do exame, é que realizá-lo sem que os estudantes tenham tempo de recuperar os conteúdos perdidos durante a quarentena tende a acentuar as desigualdades já existentes na concorrência por vagas no Ensino Superior. É também o posicionamento de Otaviano Helene, professor do Instituto de Física da USP e ex-presidente do Inep. Ele afirma que o óbvio para o momento é adiar o Enem “mas não é possível dizer se quatro ou cinco meses seria suficiente para remarcar, teríamos que avaliar a longo prazo”.
Embora todos os estudantes que farão o Enem sejam, de alguma maneira, afetados pela suspensão das aulas presenciais, são aqueles em situação de maior vulnerabilidade social que se afastarão ainda mais da linha de chegada na universidade. E a questão vai além da falta de acesso a recursos físicos essenciais para ter aulas de casa, como um computador e internet.
Muitos deles vivem em habitações precárias, dividem poucos cômodos com muitas pessoas e não encontram condições subjetivas que os estimule ou mesmo os permita estudar. “É por isso que a Unesco afirma que as escolas devem ser melhores que os ambientes em que os estudantes vivem”, afirma Helene, apontando que o meio escolar é geralmente mais estimulante para o aprendizado, mesmo em escolas com pouca estrutura.
Por fim, ambos os professores destacam que estudantes de escolas públicas continuarão entrando nas universidades caso mantenham-se os planos do MEC, já que as cotas no Sisu garantem vagas para alguns deles. O que acontece, segundo explica Alavarse, é que há uma tendência de acirramento da disputa entre os que concorrem pelas cotas, já que esse não é um grupo homogêneo e que existem desigualdades internas. Ou seja, os estudantes mais vulneráveis da rede pública vão concorrer ainda mais em desvantagem com aqueles que contam com um pouco mais de estrutura física e apoio familiar, já que não terão acesso sequer aos conteúdos ensinados na escola.
Por esse motivo, a declaração dada pelo ministro da Educação de que as cotas sociais e raciais já corrigiriam as desigualdades dessa edição não pode ser considerada totalmente correta. De acordo com Otaviano Helene, essa é inclusive a lógica de culpabilização que acompanha o sistema de cotas no Brasil: “de certa forma, ela diz que se o estudante ainda assim não consegue avançar, o culpado é ele”.
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7 influenciadores que ajudam a entender o que é ser negro no Brasil
Uma vez a filósofa e escritora Djamila Ribeiro falou que “as pessoas que vêm da periferia também são sujeitos pensantes, que produzem, sujeitos que escrevem”. Para ela, a representatividade é tão importante quanto a possibilidade de ouvir e ler produções de pessoas diferentes com contextos diversos. E as redes sociais nos possibilitam ter esse contato que gera identificação e entendimento.
Entre muitos influenciadores digitais negros, criamos esta lista com sete perfis bem diferentes entre si e que trazem temas muito importantes para pensarmos sobre negritude e sobre o mundo.
Yuri Marçal
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Yuri é ator, produtor de conteúdo em suas redes sociais e também faz stand-up comedy. Iniciou sua carreira na comédia, aos 22 anos, ao participar de um curso do humorista Fábio Rabin e, desde então, vem colecionando apresentações por todo o Brasil, além de participações em canais como o Multishow e o Comedy Central. Através do humor crítico, ele contesta temas como o racismo, a intolerância religiosa e a homofobia gerando risada e, logo em seguida, boas reflexões.
BelQueSeQuis
A maranhense Bel Oliveira mora na Suíça. Formada em Comunicação em uma faculdade italiana, ela já viveu em quatro países e está sempre dando dicas de viagem, contando sobre como é viver no exterior. Tudo do ponto de vista de uma mulher negra.
Valter Rege
Formado em Rádio e TV, cineasta e morador da favela da Vila Clara, na Zona Sul de São Paulo, Valter fala de uma forma bastante sensível sobre sexualidade, autoamor e cultura pop a partir do olhar periférico. Com projetos pessoais que já foram reconhecidos internacionalmente, como o curta-metragem Preto No Branco, apresentado em festivais de cinema no Canadá, na Índia e Alemanha, seus vídeos fazem reflexões sobre notícias, acontecimentos atuais e produções audiovisuais.
Alma Preta
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Formado por jornalistas, o Alma Preta é uma agência de notícias especializada na temática racial com conteúdo digital em diversos formatos. No Instagram, ela compartilha notícias, reflexões importantes e abrem o debate entre seus produtores de conteúdo e convidados.
Gabi Oliveira
Ativista dos direitos negros, Gabi Oliveira traz no seu canal DePretas assuntos que vão desde política a relações raciais no Brasil, falando sobre ícones negros, estética, séries, filmes e experiências pessoais. Ela também mostra seu cotidiano com muita personalidade e opinião.
Muro Pequeno
Em seu canal, Murilo Araújo fala sobre como é ser negro, cristão e homossexual para compartilhar suas vivências e empoderar outras pessoas. Seus vídeos reúnem conteúdo sobre atualidades e dia a dia, mas também nos apresentam outras pessoas negras com muito para falar e nos introduzem a temas como masculinidade negra e teologia queer (estudos sobre a religião por meio das diversas identidades sexuais).
Afros e Afins
Você já deve ter ouvido falar da Nátaly Neri por aí. Desde 2015, o canal pretende compartilhar os processos de “autonomia” da sua criadora, seja falando de consumo, feminismo, veganismo ou negritude. A Nátaly é formada em Ciências Sociais e sempre traz assuntos explicativos sobre o racismo e como é ser negro no Brasil para o seu canal.
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Netflix vai remover 112 filmes e séries do seu catálogo em junho
‘Corra!’, ‘Guardiões da Galáxia’ e ‘Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças’ são alguns filmes que serão retirados da plataforma
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Netflix vai remover 112 filmes e séries do seu catálogo em junho Publicado primeiro em https://manualdohomemmoderno.com.br/
O que é o movimento antifa?
Os Estados Unidos vivem uma nova onda de protestos que tem gerado certo temor entre as autoridades. O que começou com uma manifestação concentrada na cidade de Minneapolis, em reação ao assassinato de George Floyd, homem negro que foi asfixiado por um policial branco, espalhou-se em protestos radicais por 75 cidades, segundo levantamento do jornal The New York Times. A repressão policial e dos governantes também se acirrou: a maioria dos municípios decretou toque de recolher e mais de 1.600 pessoas foram presas nos primeiros seis dias de manifestações.
Mas foi na noite do último domingo (31), quando manifestantes bateram às portas da casa do presidente, que as autoridades americanas apressaram-se em encontrar um responsável para pagar a conta dos protestos: em sua conta no Twitter, o presidente Donald Trump atribuiu a organização e violência dos protestos aos anarquistas e integrantes do movimento antifa, que ele agora ameaça classificar como “terrorista”. O FBI também se pronunciou por meio de uma nota. Segundo o secretário de Justiça, William Barr, os organizadores do protesto já estão sendo investigados: “A violência organizada e conduzida pelo antifas e outros grupos similares e o terrorismo interno serão tratados como tais”, escreveu.
Embora tudo aponte que a teoria do presidente não é de todo verdade – já que as manifestações mostram-se bastante difusas, com adesão diversa e com caráter inicialmente pacífico em muitos lugares – o apoio que demonstraram ao movimento “Black Lives Matters” (“vidas negras importam”) nos últimos anos leva a crer que os antifas estão, de fato, participando de alguma forma dos protestos, mas não na posição de liderança em que o presidente os coloca. Para evitar a acusação inconsistente, bastava que Trump fizesse um resgate à história do movimento.
Uma história tão antiga quanto o próprio fascismo
Para entender o movimento antifascista nos Estados Unidos ou em qualquer parte do mundo, é preciso voltar à Alemanha de 1932, à época da ascensão de Hitler. O primeiro grupo a se denominar como tal, o Antifaschistische Aktion, surgiu especialmente por iniciativa do Partido Comunista Alemão com o objetivo mais amplo de formar uma aliança entre as “esquerdas” – especialmente com os social-democratas – chamada Frente Única, impedindo assim o avanço do nazismo. Como bem sabemos, fracassaram.
É somente na devastada Alemanha pós-guerra, em 1945, que o movimento antifascista deu sinais que não esta morto, mas somente esteve adormecido nos galpões de fábricas e conjuntos habitacionais. “Camadas mais largas [de trabalhadores] evitaram o perigo, mas foram capazes de manter os valores e memórias do movimento operário vivos em seus grupos de amigos, locais de trabalho e conjuntos habitacionais”, afirma o historiador Gareth Dale em seu texto Like Wildfire”? The East German Uprising of 1953. Esses grupos de trabalhadores intitulavam-se Antifaschistische Ausschüsse (“comitês antifascistas”) ou Antifaschistische Aktion, que passou a ser comumente traduzido como simplesmente “Antifa”.
Eles continuaram a usar algumas táticas pensadas antes da guerra pela Frente Única, assim como mantiveram a bandeira desenhada pelos designers Max Kleison e Max Gebhard, membros da Associação de Artistas Visuais Revolucionários. As cores da bandeira estão ligadas à união do anarquismo (representado pelo cor preta) ao socialismo (em vermelho).
A diversidade de frentes políticas não se dava apenas em teoria. Nos anos seguintes, até por volta de 1951, grupos antifas espalharam-se por toda a Europa e, segundo Loren Balhorn, editor na revista Jacobin alemã, suas fileiras contavam não apenas com antigos membros do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e do Partido Comunista da Alemanha (KPD), como também com pessoas de organizações de trabalhadores católicos e outras forças. Eles foram, por um breve período, uma peça importante em governos provisórios do pós-guerra.
Embora os antifas tenham, desde sempre, a cultura do embate direto, como a “caça” aos nazistas, eles também lutavam para expulsar ideais fascistas da burocracia alemã. Por isso, o auge do movimento é considerado o período entre o fim da guerra, com a derrota dos nazistas, e 1951. Depois disso, com a influência crescente dos Aliados na reconstrução dos países no pós-guerra e o acirramento do cerco contra o comunismo, especialmente por conta da Guerra Fria, os grupos antifas foram gradativamente perdendo espaço. Para completar, surgiram conflitos internos entre as diferentes frentes de esquerda que compunham o movimento, culminando na saída dos social-democratas. Em 1956, os antifas (ao menos no formato que existiam até então) desapareceram de vez, acompanhando o banimento do Partido Comunista na Alemanha Ocidental.
Os novos antifascistas
Loren Balhorn explica em A História Perdida dos Antifas: o Popular Movimento Antifascista, publicado na Jacobin, (uma revista socialista com edições em diversos países) que os antifa aos quais nos referimos hoje (e que Trump classifica como “terroristas”) não estão diretamente conectados aos antigos grupos alemães. Segundo ele, os novos antifa são muito mais um resultado do movimento autonomista da década de 1980, uma corrente da esquerda europeia que surgiu em oposição à burocracia do Estado e pregava a autogestão e descentralização do poder. Desde então, as pautas centrais tornaram-se o combate a políticas de extrema-direita, ao neonazismo, à xenofobia e ao racismo.
E se antes eles representavam uma união consciente entre vários grupos políticos, hoje são muito mais um movimento profundamente heterogêneo e vago em sua organização. É justamente por essa estrutura pouco organizada, sem líderes, sede ou qualquer outras características que os permita coordenar grandes movimentos que é pouco provável que Donald Trump coloque sua ideia no papel e os classifique legalmente como um grupo terrorista.
O que querem os antifa
É importante lembrar, no entanto, que embora o antifascismo derivado da década de 1980 não conte mais com a estruturação que tinham aqueles grupos do pós-Segunda Guerra (justamente por defenderem a autogestão e outros pressupostos autonomistas), esse movimento não deixa de ter uma carga política. Ou seja, os grupos minimamente estruturados que se reivindicam como antifa abarcam uma série de valores e estratégias de combate ao fascismo em todas as suas formas. A respeito disso, Silvio Almeida, jurista doutor pela USP e professor em direito político na Universidade Mackenzie, defendeu ontem em seu perfil no Twitter: “Ser antifascista não é somente ser contra a violência dos fascistas, mas ser contra tudo a que o fascismo dá suporte e sentido. Assim, ser antifascista é ser contra a economia do fascismo, o direito do fascismo, a cultura do fascismo. A luta antifascista é uma luta existencial”.
Portanto, embora os antifascistas façam frente a governos de extrema-direita, como o do presidente americano, o que eles almejam não é fazer oposição a eles na política institucional, ocupando cadeiras no Congresso, por exemplo. Tampouco resumem sua luta apenas à queda de alguns políticos. Sua atuação costuma ser mais direta e visa expor também indivíduos e empresas que alimentam um sistema econômico considerado por eles fascistas – o que explica, por exemplo, a depredação de lojas e agências bancárias nos protestos. Os grupos antifas se reivindicam, em geral, como anticapitalistas. Além disso, eles atuam para interromper e boicotar eventos de empresários ou grupos que defendam ideais de supremacia branca. Um exemplo é o embate ocorrido na marcha racista de Charlottesville em 2017, quando os antifas e outros grupos entraram em confronto com os manifestantes e uma mulher morreu depois de ser atropelada por um simpatizante do nazismo.
Por fim, é importante destacar que o antifascismo não se resume apenas ao enfrentamento físico em manifestações, e muitos grupos antifas dedicam-se a outros trabalhos “de base” em camadas populares, justamente por acreditar que o fascismo se manifesta em outros setores da sociedade e não se resume a uma questão de valores morais, como explica a socióloga Sabrina Fernandes, doutora em Sociologia pela Universidade Carleton, do Canadá, e especialista em estudos marxistas.
As manifestações no Brasil e as torcidas antifascistas
Aposto que, nos últimos dois dias, a timeline de muita gente pipocou de fotos de perfil com filtros, correntes e até memes com a bandeira antifascista. Entre piadas e sermões sobre a banalização do tema por aqui, fica difícil precisar, com exatidão, a presença do movimento Antifa no Brasil e como ele atua no país. Mas se a eleição de Donald Trump é tida como o estopim para o crescimento desses grupos nos Estados Unidos, há quem diga que a ascensão de Bolsonaro por aqui teve efeito parecido. Ao menos dentro dos estádios.
Uma reportagem do El País publicada no final de 2019 mostrou que, com exceção da Ultras Resistência Coral, torcida do Ferroviário criada em 2005, todas as outras dezenas de torcidas de futebol antifa surgiram a partir de 2014, quando Bolsonaro venceu as eleições como deputado mais votado no Rio de Janeiro e despontava como um possível candidato à presidência. Foram essas torcidas (entre outros setores, é claro) que tomaram a Avenida Paulista em um ato no último domingo (31), em defesa da democracia e contra o fascismo.
Embora essas torcidas antifas não atuem exatamente como os grupos europeus ou americanos, suas pautas centrais e algumas estratégias as aproximam do movimento. Ainda segundo o texto do El País, muitas delas identificam-se como coletivos, e o time funciona como pano de fundo para discussões políticas que pautam a homofobia, racismo, machismo e até o capitalismo. Além disso, existe uma forte atuação de base junto aos movimentos negro, feminista e em defesa do trabalhador. A torcida antifa do Internacional, por exemplo, presta apoio ao Quilombo Lemos, um quilombo urbano em Porto Alegre que sofre ações de reintegração de posse.
No “país do futebol”, o movimento antifascista é puxado por torcedores.
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